CELA VIP: UM APARTAMENTO CRIMINOSO
Cadeia era para ser o lugar onde o sujeito pagava sua pena, mas se tornou um estrelato por trás das grades.
No Módulo V da Lemos Brito, lá em Salvador, rolaram regalias de hotel cinco estrelas, cheias de luxo. Tinha uísque importado, Chivas Royal Salute 21 anos, pra ninguém botar defeito. Imagina a cena do bandido dali, com a garrafa, quase que virou bartender. O detalhe? Ele só largou o copo porque conseguiu escapar, se picou com estilo pela mata até a Gal Costa.
O aposento não tinha nada a ver com as celas comuns, sem aquele cheiro de mofo e abandono, piso com azulejo limpinho, ventilador de parede, espelho em tamanho família (proibidão, claro), e até móveis planejados sem contar a cama individual com colchão decente, quase um quarto de solteiro digno.
Teve televisão e banheiro privativo, com chuveiro e vaso, uma suíte clandestina em meio ao caos prisional.
E era tudo pago, organizado e protegido por dentro a facção mandava e desmandava, entradas livres para visitantes, troca de mensagens via celular tudo com o golpismo profissional de quem sabe se virar. A Polícia Civil só iniciou esse mapeamento das regalias depois da Secretaria de Administração Penitenciária pinçar coisas erradas em 2023, mas só agora, em julho de 2025, divulgaram com aquele barraco no inquérito, até vídeo tem com policial penal catando garrafa de uísque no esgoto da cela.
Quem ocupava esse pedaço de luxo era o “Geleia”, que ocupava o baralho do crime da Bahia, a vida boa durou até outubro de 2023, quando ele e mais uns seis colegas esculpiram um buraco no teto, escaparam e ainda atravessaram a mata. Saiu de fininho até alcançar rua livre, fantasia? Não. Um plano desenhado de dentro pra fora e consumado.
O susto agora é saber que isso pode ter sido orquestrado, com gente da guarda interna ajudando abrindo portas, virando o olhar, omitindo-se, a pergunta que é: quanto tempo mais circulou essa festa de banheiros grandões, bofetadas de whisky e conivência, enquanto o resto passava fome racionada e dormia no chão duro?
Sobrou vergonha na cara do Estado, que agora promete investigar, punir e retomar o controle. Mas a sociedade quer mais: quer saber quem foi cúmplice, quem abria e quem fechava essas portas, porque preso não paga pena ou deveria pagar com frigobar e Tv LCD, e muito menos sair com cheiro de vinho escocês.
E ficam as marcas desse Hotel Penitenciário: a sensação de que as grades serviram apenas para enriquecer a manchete, enquanto a bolacha e o corretivo escondem a falta de transparência. Cai o pano, sobra a desconfiança.
Afinal, quem fiscaliza? Quem construiu esse quarto de luxo atrás das grades?

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