GCM de Salvador quer direito de conduzir seus próprios agentes após prisão de sindicalista em protesto
A Guarda Civil Municipal (GCM) de Salvador formalizou um pedido inédito: quer que agentes da própria corporação sejam responsáveis pela condução de guardas municipais até a delegacia, e não mais a Polícia Militar. A solicitação veio após a prisão de Bruno Carianha, coordenador financeiro do Sindicato dos Servidores da Prefeitura (Sindseps) e guarda municipal, durante um protesto contra o Projeto de Lei 174/25, que trata do reajuste salarial de servidores públicos.
Carianha foi detido após confronto com policiais militares em meio à manifestação. Vídeos registraram o sindicalista discutindo e enfrentando a tropa. Segundo a GCM, o episódio gerou um “mal-estar institucional” e evidenciou a necessidade de redefinir procedimentos em ocorrências que envolvam servidores da corporação.
O diretor-geral da GCM, coronel Humberto Sturaro, explicou que o pedido reflete uma demanda interna: “Houve uma desinteligência entre a PM e a Guarda. Quando fatos como esse ocorrerem, queremos que a condução seja feita por nós”.
Sturaro afirmou ainda que já foi agendada uma reunião com o comandante-geral da PM-BA, coronel Antônio Carlos Magalhães, para formalizar um termo de cooperação técnica entre as forças. O objetivo é garantir que, em ocorrências envolvendo GCMs ou policiais militares, a condução seja feita pela respectiva corporação de origem.
Bruno Carianha foi acusado de lesão corporal dolosa, incitação ao crime, dano ao patrimônio público, resistência à prisão e vias de fato. A prisão foi anunciada pelo presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), após a ocupação do Centro de Cultura da Câmara durante a votação do PL 174/25.
De acordo com um documento obtido pelo Bahia Notícias, Carianha teria agredido o vereador Maurício Trindade (PP) e outros servidores da Câmara: Sidney Campos Filho, Marcelo Bestetti Grun e Rondinele Requião. O Estado também foi listado como vítima institucional devido aos danos ao patrimônio público.
A medida, se aprovada, pode marcar um novo capítulo na relação entre as corporações de segurança pública da capital baiana.

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